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Diário de Leitura #28: Treze – FML Pepper


Título: TREZE

Autor: FML Pepper
Editora: Galera Record
Gênero: Ficção
Páginas: 406
Nota: 5/5

Olá pessoal, tudo bem? A resenha de hoje é sobre o livro TREZE da autora brasileira FML Pepper. Vamos lá?

TREZE é um livro de romance com pitadas de magia e abordagens relacionadas à fé em Deus e forças superiores. Narrado sob dois pontos de vistas, o livro é dinâmico, fluído e com todas as pontas bem amarradas.

Rebeca é uma hacker criada de maneira um tanto quanto diferente. Sem ligação com nenhum tipo de religião ou crença, ela cresceu acreditando que na vida o dinheiro é tudo o que importa e que o amor não existe. Depois de perder o pai de form trágica, ela e sua mãe, dona Isra, entram para o mundo do crime, aproveitando ao máximo as habilidades da jovem, mas acabam se envolvendo com a pessoa errada e agora devem uma quantia substancial a um agiota da pior espécie.

Apesar da criação, Rebeca tem uma melhor amiga chamada Suzy. É ela a responsável por levar Rebeca a um parque de diversões onde a hacker conhece Madame Nadeje, uma vidente que, para Rebeca, nada mais é do que uma fraude. Como a boa ladra que é, seus instintos emitem alertas que ela não consegue ignorar. Ainda assim, quando vê a misteriosa senhora debaixo de uma chuva sem precedentes ela acaba lhe dando uma carona para casa e é nesse momento que sua vida muda.

Sem que ela pedisse, a mulher faz algumas previsões sobre seu futuro, entre elas: que ela não leve a cabo o plano do dia seguinte; que ela encontrará o amor de sua vida em seu décimo terceiro (13) namorado. Tranquilo, né?

Crente apenas em números e estatísticas, ela tenta não pensar muito no assunto. O problema é que, a partir do momento em que os planos dela e da mãe vão por água abaixo, as profecias da vidente começam a se cumprir exatamente como ela descreveu. Em determinado ponto da história, sua maior preocupação se torna encontrar um décimo segundo namorado para, por fim, ficar com o décimo terceiro que será seu amor verdadeiro. Mas que missão difícil!

Dois anos mais tarde, Rebeca está a caminho de Minas Gerais e, após um problema com a lata-velha que chama de carro, ela conhece Karl.

Karl é um rapaz muito bonito e tranquilo, mas com um passado triste e doloroso. Na mesma época em que Rebeca praticava seus furtos, ele era lutador de MMA e estava no auge da carreira, chegando ao topo quando foi convocado para lutar no UFC. No entanto, faltava uma coisa: sua namorada, Beatriz. Quando percebe que o relacionamento deles terminou e ela está com outro, ele sofre um acidente de moto e fica alguns meses em coma. Quando acorda, descobre que sua vida nunca mais será a mesma e que terá de mudar drasticamente suas crenças e atitudes para conseguir ter um futuro.

Quando conhece Rebeca, algo se desfaz dentro dele, como se a escuridão deixada por aquela que ela achava ser seu grande amor tivesse sido perfurada por uma nova chama. O destino se encarrega de aproximá-los, mas, como a vida de nenhum dos dois nunca foi fácil, uma força parece querer testá-los para ver do que são capazes.

Confesso que fazia muito tempo que eu não lia um livro de mais de 400 páginas em um dia e meio. Quando a autora FML Pepper me convidou para uma parceria, fiquei muito feliz. E ainda mais quando o enredo do livro me interessou logo na sinopse.

Tenho um relacionamento muito forte com o número treze, não é à toa que meu cantinho se chama O Décimo Terceiro Andar. Então quando li a descrição fui fisgada na hora. Esta leitura chegou até mim em um momento muito oportuno. Aqui vai mais uma confissão, além dos autores “obrigatórios” e clássicos, nunca li nenhuma obra de algum escritor brasileiro contemporâneo. Isso é algo que me incomoda porque eu mesma tenho a aspiração de me tornar autora, logo não faz sentido não apoiar a literatura nacional. Enfim. Timing perfeito.

No entanto, antes de iniciar a leitura fiz uma pesquisa sobre a autora e sobre o livro e acabei ficando com um pé atrás porque pensei que teria os temas “Deus”, “religião” e “fé” enfiados goela abaixo. Não sigo nenhuma religião, apesar de acreditar em uma força maior e ter fé, por isso o sentimento. Enfim. Não aconteceu nada disso. Foi uma das melhores leituras do ano, quiça da vida.

Não estou exagerando. Além de impecavelmente escrito, o livro tem uma narrativa deliciosa e muito familiar para nós brasileiros. Somos levados a lugares que conhecemos (seja por já ter visitado, ou por ver na TV), a culinária mineira aparece diversas vezes em forma de bolo de fubá com canela, café coado no coador de pano, paçoquinha e outras referências deliciosas e também temos termos e expressões da nossa língua portuguesa que só funcionam em nosso idioma.

O romance toma a maior parte do livro sim, mas todos os pontos citados na trama são muito bem amarrados em alguma parte da história. Cada mínimo detalhe tem explicação e tem um porquê e foi isso que me cativou.

Os sentimentos provocados ao longo da leitura são muitos também. Angústia, medo, felicidade, divertimento, fogo (risos), vontade de socar a cara de alguns personagens. Enfim, um mix muito interessante. Na minha humilde opinião o que torna um livro bom é justamente essa capacidade de despertar sensações no leitor, e esse objetivo Pepper concluiu com muito sucesso.

Sobre a questão da fé: sim, ela é mencionada diversas vezes e por diferentes personagens. Rebeca é uma pessoa desconfiada por natureza e não consegue conceber a ideia de uma força superior. Ela inclusive fala algo na linha “se existe um Deus por que ele deixa coisas ruins acontecerem a pessoas boas?”, não com essas palavras, mas o sentido era esse. E uma série de acontecimentos acaba fazendo ela mudar de ideia, mas não é nada forçado, sabe? Aconteceu de forma gradual e natural e isso me agradou muito.

Para não dizer que eu tô babando ovo, vou citar minha única reclamação: a Suzy é muito chata quando ela quer. Queria matar ela em um certo momento por conta dos “conselhos” dela. Menina sem noção nenhuma.

É um livro que vale muito a pena e tem um final daqueles que deixam a gente com um quentinho no coração.
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Meu nome é Gabriela, tenho 24 e sou jornalista. Trabalhei durante quatro anos grandes revistas das áreas de arquitetura e decoração e hoje sou freelance. Livros são a minha paixão e adoro falar sobre eles e tudo o que os envolve.

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Meu nome é Gabriela, tenho 24 e sou jornalista. Trabalhei durante quatro anos grandes revistas das áreas de arquitetura e decoração e hoje sou freelance. Livros são a minha paixão e adoro falar sobre eles e tudo o que os envolve. Boas leituras!

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