Diário de Leitura #24 – Again, But Better – Christine Riccio



Título: Again, But Better
Autora: Christine Riccio
Editora: Wednesday Books
Ano: 2019
Páginas: 416

Se você tivesse a chance de reviver algum momento da sua vida com o conhecimento que tem até o momento, faria escolhas diferentes?  Em “Again, But Better”, de Christine Riccio, conhecemos Shane Primaveri, uma garota de 20 anos que decide ir em busca de um pouco de aventura e acaba encontrando mais do que esperava com uma pitadinha de magia. 

“Again, But Better” nos guia através de uma jornada de auto-conhecimento e amadurecimento. É uma história baseada em partes na vida real da autora, com toques ficcionais óbvios, mas muito necessária. Como a própria Christine diz na sua nota de abertura: “eu precisava desesperadamente ler uma história de amadurecimento (coming-of-age) sobre alguém na casa dos vinte – alguém que ainda estava encontrando a si mesmo e lutando com o fato de estar se tornando um adulto mesmo depois de terem chegado à marca de duas décadas. Eu precisava saber que havia pelo menos uma pessoa de vinte anos ou mais, por ai, sentindo-se tão sozinha e perdida como eu me sentia. Naquela época eu não encontrei nada assim”. (tradução livre). 

Realmente teria sido ótimo ler um livro desses quando eu mesma estava nesse período de transição da adolescência para a vida adulta. Talvez as coisas tivessem sido mais fáceis ou, pelo menos, menos assustadoras. 

Mas vamos à história!




O LIVRO



“Again, But Better” é o livro de estreia da escritora e booktuber Christine Riccio, conhecida pelos nomes de tela @xtinemay e PolandBananaBOOKS. O enredo divertido e cativante tem como ponto principal uma jornada de auto-conhecimento e amadurecimento da personagem Shane Primaveri. Em 2011, aos 20 anos de idade, Shane não tem amigos, vive enfiada no dormitório da faculdade e nunca beijou um garoto (o que não é nem de longe um problema, mas a incomoda muito). Apaixonada por livros e literatura, a jovem toma coragem para sair um pouco da linha e fazer um curso de escrita criativa de quatro meses em Londres – o detalhe é que Shane cursa medicina e tem de mentir para os pais sobre a viagem. 

“People can continue along most paths, however unpleasant, if they have at least one good friend with them. Not having one has forced me to consider my path-changing options.” 

“As pessoas conseguem seguir por qualquer caminho, mesmo que desagradável, se tiverem ao menos um bom amigo com eles. Não ter nenhum me forçou a considerar minhas opções para mudar de caminho” (tradução livre)


Munida de seu laptop Sawyer, uma bolsa de livros e seus inúmeros cadernos de anotações, Shane aterrissa terra da Rainha decidida a agir de maneira diferente do que a usual, ou seja, fazer amigos, ir em festas e aproveitar o tempo para escrever seu “grande romance americano”. As primeiras semanas são ótimas. Logo de cara Shane se da bem com suas colegas de quarto Sahra e Babe e também conhece Atticus e o roommate dele, Pilot Penn – este último, como não poderia deixar de ser, se torna o interesse romântico da nossa mocinha. Logo, o Flat número 3, como Shane os batizou, cria uma rotina dividida entre estudos, estágio (Shane consegue uma vaga em uma revista de turismo), reuniões na cozinha, jogos de cartas e viagens de fins de semana pela Europa. Um sonho!

Shane sente por Pilot algo que ela nunca sentiu antes e o rapaz parece sentir o mesmo, mas (sempre tem um mas), logo ela descobre que ele tem uma namorada e isso deixa as coisas um pouco tensas entre eles. Mesmo com o clima estranho (e aqui devo dizer que foi a única coisa que me incomodou um pouco na história) a dupla se diverte e constrói um relacionamento que não é só uma amizade, mas tem alguns limites devido ao status de relacionamento do garoto. 

“I expel the giant breath I’ve been very aware of holding for the past thirty seconds.”

“Eu solto a respiração gigante que estava muito ciente de estar segurando pelos últimos trinta segundos.” (tradução livre)

Um belo dia, a namorada de Pilot resolve aparecer por ali para visitá-lo, só que como notícia ruim nunca vem sozinha, os pais da Shane também viajam para Londres e, como se não bastasse, “obrigam” todo o Flat (e a Amy) a irem almoçar com eles. Óbvio que durante esse almoço as coisas saem do controle, as mentiras que Shane contou vêm a tona e o pai dela fica furioso. Decepcionada e muito machucada com toda a situação, ela sai do estágio e passa as últimas semanas em Londres tentando recuperar a matéria obrigatória que deveria estar estudando para o curso de medicina. Depois, volta para um clima horrível em sua casa nos EUA.

Corta para 2016…

Cinco anos depois de viver a maior aventura de sua vida, Shane agora é uma quase doutora, está noiva e fazendo entrevistas de residência em hospitais. Ela mudou, amadureceu, mas aqueles quatro meses em Londres nunca saíram de sua mente. Num rompante ela decide procurar Pilot na empresa em que ele trabalha e pede para conversar com ele. Sem entender muito bem o porquê de ela querer conversar com ele depois de tantos anos, ele aceita e os dois vão parar em um novo café. Shane extravasa seus sentimentos e quer saber como Pilot se sentia naquela época. Ele reluta, afinal ainda está em um relacionamento com Amy, mas acaba dizendo que também sentia alguma coisa por ela. Depois dessa torta de climão, os dois ficam presos no elevador e acordam atordoados, ADIVINHEM, na cozinha do Flat número Três, em 2011. 

“It’s weird how we have to get a little older to realize that people are just people. It should be obvious, but it’s not.”

“É esquisito como nós temos que ficar um pouquinho mais velhos para perceber que pessoas são somente pessoas. Deveria ser óbvio, mas não é.” (tradução livre)


Desesperados, os dois tentam buscar uma resposta racional para o acontecimento, mas a única explicação possível é que eles viajaram no tempo. Shane está decidida a ficar e tentar de novo, mas Pilot parece muito frustrado e confuso. Com uma pitadinha de magia a dupla descobre que pode voltar para o próprio tempo se encontrarem um botão misterioso. Só que para isso precisam reviver algumas de suas aventuras…



OS PERSONAGENS


Shane Primaveri: Me reconheci muito na Shane. Ela é uma garota cheia de sonhos e planos, mas insegura e sufocada por expectativas sociais e familiares que não consegue atingir. Ela vive cercada por livros e seu sonho é escrever um romance de sucesso, mas a pressão dos pais para que ela tenha “uma carreira que dê dinheiro” frustra seus desejos. Até que ela decide sair da linha e criar toda uma mentira que culmina em mais decepções e um sabor amargo de frustração. No entanto, conforme vemos o desenvolvimento da personagem, entendemos que as vezes a gente só precisa de um pouco de tempo para se descobrir e se entender.

“I watch the office breathe for hours, utterly clueless about how I should be spending my time.” 

“Eu observo o escritório respirar por horas, completamente alheia sobre como eu deveria passar o meu tempo.” (tradução livre)

 Shane em seu primeiro dia de estágio na “Packed! For Travel!” 



Pilot Penn: Pilot é o típico garoto por quem todas as garotas tem um crush. Ele é simpático com todo mundo, descolado e divertido. Quando o relacionamento dele com Amy é exposto, ele realmente parece um pouco confuso, afinal namora com a garota há apenas três meses. Quando conhece Shane fica óbvio que a química com ela é muito grande, eles compartilham dos mesmos gostos, entendem as piadas um do outro e ficam muito confortáveis juntos. É difícil ver ele se afastando para se manter fiel à um namoro que ele mal começou. 

Sahra: Sahra é aquela personagem que faz todas as outras questionarem sua própria beleza. É uma garota linda, inteligente e reservada, mas uma boa amiga.

Babe: a amizade que Babe e Shane cultivam é um amorzinho. Gostei muito de ver as duas se tornando amigas e companheiras para todas as horas. Inclusive me lembrou muito a minha própria relação com uma das minhas únicas amigas. 

Atticus: o colega de quarto de Pilot é o alívio cômico do livro. Ele sempre tem algo legal a dizer e tenta apaziguar as situações. 


PONTOS POSITIVOS X PONTOS NEGATIVOS


Acho que o único ponto negativo para mim foi o relacionamento esquisito entre a Shane e o Pilot depois que ela descobre que ele namora. Eu fiquei um pouco desconfortável porque a minha tendência seria me afastar completamente, mas a Shane continuou flertando com ele. Não digo isso como uma acusação ou algo do tipo, foi tudo muito natural e eu entendia o que estava acontecendo ali, mas me incomodou um pouco. 

Tirando isso, 99% do livro é um ponto positivo. O texto é leve, fluído e divertido. Tem momentos muito engraçados e outros tocantes, como quando o pai dela surta na frente de todo mundo, ou quando ela percebe o quanto está infeliz seguindo por um caminho que não é o sonho dela. Tem as viagens que são descritas de maneira tão natural que parece que o leitor é transportado para aquele momento. Eu amei cada segundo lendo esse livro. Recomendo muito para quem está nessa fase dos 18, 19, 20 anos e tá meio perdido na vida, achando que fracassou como ser humano jovem (eu juro que não, você tá fazendo o que pode e isso é tudo que importa ). É uma história reconfortante!
O livro é muito recente então ainda não tem a versão em português, infelizmente. Mas se você já lê em inglês ou quer começar, essa é uma ótima opção e vale cada centavo pago no Kindle (queria o livro físico, mas ia levar dois meses e era o dobro do preço * chora *, quem sabe mais para frente eu compro para a minha coleção.
E você, tem algum livro que te marcou muito? Me conta aqui!

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Meu nome é Gabriela, tenho 24 e sou jornalista. Trabalhei durante quatro anos grandes revistas das áreas de arquitetura e decoração e hoje sou freelance. Livros são a minha paixão e adoro falar sobre eles e tudo o que os envolve.

1 Comentário

    Diário de Leitura #25: The Beauty of Darkness – Mary E. Peason – O Décimo Terceiro Andar

    26th jun 2019 - 09:15

    […] Diário de Leitura #23 – Again, But Better – Christine Riccio 5 livros que tenho há algum tempo, mas nunca li Diário de Leitura #22: A Pequena Sereia e o Reino das Ilusões – Louise O’Neill Aquela em que eu crio uma TAG […]

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Meu nome é Gabriela, tenho 24 e sou jornalista. Trabalhei durante quatro anos grandes revistas das áreas de arquitetura e decoração e hoje sou freelance. Livros são a minha paixão e adoro falar sobre eles e tudo o que os envolve. Boas leituras!

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