Siga-nos nas redes sociais

Permanência, substantivo feminino

Você já teve a sensação de que quando escreve alguma coisa no papel ela se torna real? É como se a tinta absorvida pela folha fizesse determinado pensamento ou sentimento se materializar e ganhar vida. Parece que a partir daquele momento não tem volta: se está escrito, vai acontecer. Transforma-se em uma ideia definitiva e permanente, que não pode ser deixada de lado por nada nesse mundo. 

Eu tenho essa impressão constantemente. Tanto que evito fazer listas de tarefas em cadernos, agendas, post-its, etc., sempre anoto tudo no bloco de notas do computador ou do celular. Bullet journal, para mim, nem pensar.  

Recentemente eu estava com dificuldades pra voltar a fazer exercícios físicos e me falaram para anotar junto com todos os meus afazeres diários. Assim, à noite, eu poderia ticar aquela resolução e dar o dia por encerrado. Como se fosse uma missão cumprida. E foi aí que eu me dei conta de que não conseguiria fazer isso de jeito nenhum. Ter “ir à academia” anotado com a minha caligrafia primária no papel se tornaria uma pressão imensa sobre os meus ombros – algo que me incomodaria o dia inteiro. E pior: caso não cumprisse o objetivo ficaria completa e inevitavelmente frustrada, como já aconteceu muitas vezes.

Sempre ouvi dizer que deveríamos escrever cartas quando estivéssemos com raiva ou magoados com alguém ou alguma situação. Dessa forma, os sentimentos sairiam de dentro de nós e seriam transmitidos à folha, trazendo alívio e um pouco de conforto. Fiz isso incontáveis vezes e, olhando para trás, em todas elas me sentia mais focada e menos tensa ao final do texto. Algumas das minhas melhores criações foram paridas à mão em meio a crises de ansiedade ou em dias em que a tristeza me acometia sem aviso. Acho que quando não estamos pensando direito o nosso editor interno sai de cena e não questionamos cada palavra despejada na folha.

O papel tem esse apelo meio mágico para mim. Acho que é por isso que eu sonhava tanto em ser jornalista e, mais ainda, ser jornalista de revista ou de jornal. Apesar de fazer parte de uma geração que cresceu com um pé nos livros e outro na Internet (nos primórdios da Internet), sou um pouquinho avessa ao que não é impresso. Mais por um saudosismo que não me pertence, do que por alguma ideologia ou desconfiança do digital. 

Gosto do que é permanente e imutável – coisas, que fique bem claro, e não pessoas. A gente tem que mudar, já pensou que chato se ainda fossemos os mesmos de 10 anos atrás? 

Louco, eu sei. 

 Mais alguém ai é assim?

Meu nome é Gabriela, tenho 24 e sou jornalista. Trabalhei durante quatro anos grandes revistas das áreas de arquitetura e decoração e hoje sou freelance. Livros são a minha paixão e adoro falar sobre eles e tudo o que os envolve.

Posts relacionados

Responder

Your email address will not be published. Required fields are marked *

SOBRE

Meu nome é Gabriela, tenho 24 e sou jornalista. Trabalhei durante quatro anos grandes revistas das áreas de arquitetura e decoração e hoje sou freelance. Livros são a minha paixão e adoro falar sobre eles e tudo o que os envolve. Boas leituras!

Curta a Fanpage no Facebook

Assine nossa newsletter!

* indicates required

lendo

Categorias

Arquivo

SIGA-NOS NO TWITTER

SIGA-NOS NO PINTEREST

ads

×