Diário de leitura #5: O Morro dos Ventos Uivantes – Emily Brontë

“Seja de que forem feitas nossas almas, a dele e a minha são as mesmas”

Enrolei a vida inteira para ler esse livro. Ok, mentira, foram ~apenas~ 7 anos. Ganhei essa edição da minha BFF em 2010, mas nunca chegava a vez dele ser lido. Mas, como tudo na vida tem seu tempo, finalmente chegou o dia em que eu li O Morro dos Ventos Uivantes *clap clap clap*.
Muita gente deve ter conhecido esse livro por conta da saga Crepúsculo, ele era o livrinho de cabeceira da Bella. Minhas memórias são meio confusas porque eu sempre soube da existência, por exemplo, de Jane Eyre, livro de Charlotte Brontë, uma das irmãs da Emily Brontë, mas não consigo me recordar se já tinha ouvido falar de O Morro dos Ventos Uivantes, ou se esse conhecimento se deu por conta daqueles vampiros. Enfim, Ana Luiza me deu o livro de aniversário em 2010 e eu nunca li.
Esse ano O Morro dos Ventos Uivantes finalmente saiu da minha estante e entrou para a pilha de meta de leitura (que, preciso dizer, é bem ambiciosa e eu prometo que farei um post sobre ela). Enfim, li e vim aqui falar o que achei.
Primeiramente, para quem não conhece o livro, a história se passa em Yorkshire, no século XVIII e gira em torno de duas famílias: Earnshaw e Linton. Nossos personagens principais são Catarina Earnshaw e Heathcliff, este último um jovem rapaz maltrapilho que o Sr. Earnshaw, pai de Cathy, adotou em uma de suas andanças. Cathy e Heathcliff crescem criados meio que juntos e, como não poderiam deixar de ser em um romance, se apaixonam. Porém, engane-se quem pensa (tipo eu) que o Morro dos Ventos Uivantes é um romance de época água-com-açúcar. Na na não.
Começando pelos personagens que, em sua maioria, se odeiam. Tipo, ódio real, ódio de querer matar o outro. A Cathy é um nojo de pessoa. Ela é extremamente mimada, egoísta e impulsiva. Basicamente um ser desprezível. Mas tem seus momentos, né? O Heathcliff é outro intragável. Ele tem seus motivos, mas né, difícil de gostar.  O irmão da Catarina, Hindley Earnshaw, é outro doente que faz da vida de Heathcliff um grande inferno.  Na família Linton, os personagens que importam no fim das contas são os dois jovens irmãos, Edgar e Isabel (ou Isabella, na minha edição é Isabel).
Enfim, esse povo todo cresce e cada um toma uma rumo na vida: Cathy vira uma madamezinha refinada e faz suas escolhas. Não quero dar “spoilers” sobre o acontecido (apesar de que, né, já tá na estrada há séculos). Enquanto Heathcliff nutre cada vez mais profundamente um ódio por tudo e todos e faz de tudo e mais um pouco para arquitetar e executar sua vendetta contra os Earnshaw e os Linton tudo de uma vez.
No meio disso tudo, Cathy e Heathcliff, de uma forma retraída, tem uma louca obsessão um pelo outro. Especialmente da parte dele. Fui bastante surpreendida porque eu esperava MESMO um romance do tipo mocinho-salva-mocinha. Eu conhecia o básico, como a Catarina morrer e tal, mas eu imaginava o enredo de uma maneira completamente diferente do que realmente é.
Agora entendo porque é considerado que Emily Brontë inovou a literatura inglesa e porque este livro é um clássico. A maior parte história é contada em 3ª pessoa por uma empregada/governanta da casa, mas quem começa e termina a narrativa é o sr. Lockwood, o novo locatário de uma residência nessas terras. O antagonismo dos personagens é outro ponto que me fisgou, é totalmente diferente de tudo o que já li. Não tem anti-heroi virando mocinho. Não tem final feliz (até tem, mas é até lá, foi merecido, quase que como um alívio depois de tantos sentimentos ruins). Fiquei irritada e nervosa o livro inteiro, mas é indiscutivelmente uma das melhores leituras que já fiz.
Para finalizar, sugiro fortemente que vocês escutem a música Wuthering Heights (composta por Kate Bush nos anos 1970) na versão do Angra. Sou viciada nela faz muitos anos e, agora que li o livro, nossa, amo muito mais!

Meu nome é Gabriela, tenho 24 e sou jornalista. Trabalhei durante quatro anos grandes revistas das áreas de arquitetura e decoração e hoje sou freelance. Livros são a minha paixão e adoro falar sobre eles e tudo o que os envolve.

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Meu nome é Gabriela, tenho 24 e sou jornalista. Trabalhei durante quatro anos grandes revistas das áreas de arquitetura e decoração e hoje sou freelance. Livros são a minha paixão e adoro falar sobre eles e tudo o que os envolve. Boas leituras!

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