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BEDA #16 – Small Words #2: Trigger Warning

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Ela podia sentir em seu âmago que algo se aproximava. Algo envolto em trevas, que trazia dor e desespero. Algo que a perseguia. Ela estava perdida. Mas acima de tudo, ela estava morta. Não havia saída. Não havia escapatória, mas ela correu. Correu, correu e correu, até sentir que o coração explodiria.Cada músculo de seu corpo parecia estar em chamas, mas ela não podia parar. Não havia chance de escapar dali com vida, mas ela não podia parar de correr. Tinha que fugir. Ela sabia que não seria capaz de lutar contra o que a estava perseguindo, não teria forças, não teria coragem, mas não conseguia parar de correr e fugir. Correr, fugir. Correr, fugir. Essas duas palavras pulsavam em seu interior e faziam com que ela se movesse. Uma perna e depois a outra. E de novo. E de novo. Até seu corpo não aguentar mais e traí-la. Caída no chão, rastejou e rastejou, mas ela sabia que era o fim. Não havia saída. Não havia escapatória. Não havia esperança. Nunca houvera. Era só uma questão de tempo até que aquele algo escuro e sombrio a encontrasse. Era só uma questão de tempo até que aquilo a alcançasse. E agora, tempo era tudo o que ela não tinha. Ela sentia aquela escuridão chegar cada vez mais perto. Cada vez mais perto. E mais perto. Mais perto. E mais perto. E mais perto. Até que finalmente o algo, a coisa escura e sombria, envolta em dor e desespero a alcançou. Mas ela, de alguma forma, havia se conformado. Aquele era o fim. Mas não havia mais importância. Aquele era o fim e ela não tentava mais – não queria mais –  correr e fugir. Nunca houvera esperança para ela, e agora que essa certeza preenchia sua mente ela já não se importava. A escuridão havia finalmente chegado e era o fim. E mesmo se ela desejasse com todas as forças não haveria outro fim além daquele. Lenta e bravamente abriu os olhos para encarar o fim. O seu fim. E no momento exato em que um último suspiro percorreu seu corpo ela sorriu.

 

E foi o fim.
*Escrevi isso em 2013, quando ainda estava passando por um período bem ~complicado~ da minha vida. Muitos de vocês conhecem essa escuridão, eu tenho certeza, e espero que todos consigam, assim como eu, guardar ela em um cantinho onde ela incomode menos… porque eu sei como é impossível se livrar dela definitivamente. 

Meu nome é Gabriela, tenho 24 e sou jornalista. Trabalhei durante quatro anos grandes revistas das áreas de arquitetura e decoração e hoje sou freelance. Livros são a minha paixão e adoro falar sobre eles e tudo o que os envolve.

1 Comentário

    Natasha Arruda

    16th ago 2017 - 21:54

    Tem coisas na vida que não queremos aceitar, porque a sua aceitação dói demais, a gente convive com a dor por falta de opção, e inexplicávelmente somos confortados e restam apenas saudades.

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SOBRE

Meu nome é Gabriela, tenho 24 e sou jornalista. Trabalhei durante quatro anos grandes revistas das áreas de arquitetura e decoração e hoje sou freelance. Livros são a minha paixão e adoro falar sobre eles e tudo o que os envolve. Boas leituras!

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